quarta-feira, 27 de abril de 2016

Pratos biodegradáveis


Dando o formato com pedras sobre pratos
Estou indo  pra Uauá, para o festival do Umbu! Até mais!

Depois de secos
Como os pratos de bainha de palmeira fizeram sucesso lá no instagram e é capaz que chegue alguém aqui procurando como fazer, já deixo o link do velho post onde eu ensino a fazer, passo-a-passo,  pra facilitar o trabalho. 

Claro, como todo mundo já sabe, as coisas por aqui não tem só um jeito de acontecer. Cada vez que faço descubro que posso fazer um pouco diferente, de modo que nunca vou chegar à perfeição, mas também não tenho nenhuma pretensão em relação a isto. O importante é ter resiliência. 

Por isto, mostro aqui novas fotos dos que fiz em Piracaia com bainhas de jerivá e fotos de outras feitas aqui com bainhas de palmeiras ornamentais que encontrei caídas na calçada da minha vizinha - a mesma do link. 

E, abaixo, o texto que publiquei hoje no Instagram. Aliás, tenho publicado muita coisa em tempo real no Instagram - porque é mais rápido, prático, com legendas curtas. Então, se você não tem conta no instagram ou não tem celular com internet, entre no blog e acompanhe aí do lado. Ou entre diretamente no site do instagram e procure neiderigo. Qualquer um pode acompanhar assim. São muitas postagens ao longo do dia. Algumas interessantes, outras, por pura distração.  

Legenda copiada do meu instagram: Pratos biodegradáveis, ótimos para mise en place, especialmente em oficinas, pra deixar tudo bonito; pra menu degustação porque dá dor no coração sujar dez pratões por pessoa para apoiar às vezes uma comida do tamanho de um limão; e para oferendas, pois canso de tirar da horta alguidares de barro com água acumulada - terreiros deveriam abolir plásticos, vidros, louças e outros elementos que não sejam biodegradáveis quando deixam oferendas na natureza, cuja preservação interessa a todas as religiões, crentes e ateus. Estes foram feitos por mim com bainhas de palmeiras que achei na rua (da sua calçada, viu, @roseleivolpe !). É só deixar de molho em água para amolecer e ficar flexível como couro, cortar no formato que quer, com tesoura, lavar com escova de cerdas duras,  deixar de novo de molho em água com água sanitária para desinfetar, e deixar secando sobre um molde. Pode ser lavado mas deve ser seco rapidamente. Veja como fiz lá no blog. Procure 'pratos biodegradáveis'. Tem post de anos atrás. #kitcheneide #pratoecológico #pratobiodegradavel #biodegradableplate


O prato sozinho é meio leve, por isto coloquei as pedras 

A natureza tudo nos dá e eu tô indo pra Uauá!

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Docinhos de batata doce bem coloridos

Se você desconfia já ter visto docinhos parecidos por aqui, tenha certeza disto Afinal, depois de quase dez anos de blog (daqui a dois meses teremos aniversário), é justo que eu me repita.

E se você não aguenta mais me ler falando de batata doce roxa ou de qualquer outra cor, saiba que provavelmente este é o último post da temporada. Os próximos, só quando colhermos na horta comunitária. Aliás, as ramas estão bonitas apesar da seca.

Bem, os docinhos já apareceram aqui. Como eu nunca sigo receitas, nem mesmo as minhas, fiz aqui pequenas modificações. Para os docinhos ficarem mais firmes, usei partes iguais de batata-doce e açúcar. Comprei no Ceagesp batatas de cores diferentes, incluindo a laranja e a roxa (tinha um pouco da horta, mas comprei mais para plantar). Cozinhei partindo da água fria, cortadas em pedaços grandes e separadas umas das outras, até que ficassem bem macias. Juntei o açúcar, fiz um purê usando o mixer e levei ao fogo, mexendo sempre, até virar uma massa firme que se soltava do fundo da panela. Esperei esfriar e fiz os docinhos.

Passei pelo bico de confeiteiro, sem saco (não achei o meu de pano e os plásticos que tentei estouraram todos - imagine a meleca!). Como fiz só com o bico? Ué, fui empurrando com o dedo. Um trabalhão e os docinhos não ficaram perfeitos como aqueles do velho post. Mas, tudo bem, foram assim mesmo para o sol. Um dia de um lado, outro dia do outro. Para os docinhos verdes juntei um pouco de folhas de batata cozidas e espremidas ao purê de batata branca e triturei tudo junto. É mesmo só para dar cor, coisa pouca.
Se quiser, use açúcar onde deixou repousar umas favas de baunilha. Se tiver baunilha do Cerrado, melhor ainda.  Pode usar também amburana ou cumaru na massa enquanto ela cozinha. Depois precisa tirar as sementes, claro.

E é isto. Adeus, batatas doces! Ou até mais!
Nesta época do ano, bate sol na janela do quarto durante toda a manhã

À tarde é no quintal. Aqui, já no outro dia, virados para
secar a parte de baixo

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Verdes no leite de coco: caxi, maxixe, quiabo, chuchu


Os ingredientes são estes que você vê na foto. A inspiração é a receita de maxixada registrada no livro de Ana Rita Dantas Suassuna (Gastronomia Sertaneja). Outro dia marcamos um encontro aqui em casa com amigas jornalistas de comida e Ana. Foi só uma farra informal. Cada uma trouxe algo de beber e/ou de beber e, pronto, passamos horas bem agradáveis até de madrugada.

Ana Rita trouxe maracujá e mel para fazermos cachimbo - assunto para outro post -, salada de cuscuz e maxixe já cozido no tempero para terminar de preparar aqui, adicionando leite de coco, que ela trouxe de garrafinha. A maxixada fez tanto sucesso que no outro dia já estávamos todas nós querendo repetir. Tem tudo lá no livro dela.  Janaína fez com quiabos e eu, com caxi. Claro, o maxixe é delicioso com aquelas sementes estourando entre os dentes e sabor algo salgado e pepinoso. Mas não tínhamos maxixe e percebemos que a técnica vale para uma porção de legumes, especialmente os verdes que ficam bem marcados boiando no mar leitoso de coco. Repeti algumas vezes o prato, mas este que apresento, em que incorporei o que tinha de verde na geladeira,  incluindo agora o maxixe, foi o de que mais gostei depois da maxixada.  Então, aqui vai a receita, mas você pode improvisar também, mudar, inovar, para, finalmente voltar à essencial maxixada.

Verdes no leite de coco: caxi, maxixe, quiabo e chuchu 

Numa frigideira ou panela, coloque uma cebola roxa fatiada (guarde umas rodelas para o final), 2 dentes de alho picado,  um punhado de folhas de coentro picado (deixe umas folhas inteiras para o final), pimenta cambuci a gosto picada e um pouco de óleo. Refogue em fogo médio sem deixar corar. Só para murchar. Acrescente  caxi,  chuchu (usei mini-chuchus) e  maxixe, todos picados e refogue rapidamente.  Tempere com sal, misture e junte água quente que os cubra. Deixe cozinhar em panela aberta em fogo baixo até a água secar um pouco e os legumes ficarem cozidos. Junte alguns quiabos e pimenta verde ardida picada.  Deixe cozinhar por cerca de 3 minutos ou até o quiabo ficar macio, mas ainda bem verde. Junte leite de coco (que fiz com coco fresco batido com água morna e espremido no pano) e umas gotas de limão. Confira o sal e corrija, se achar necessário. Desligue o fogo assim que ferver e junte a cebola roxa e o coentro reservados. Sirva com arroz ou cuscuz de milho e nhac!


terça-feira, 19 de abril de 2016

Berinjelas tostadas

Esta é uma daquelas facilidades de vida que a gente cansa de fazer em determinada época e depois esquece pra sempre até alguém te apresentar novamente como uma verdadeira novidade. E assim foi para mim. Fazia berinjelas tostadas na chama para preparar babaganush (nem a grafia me lembro mais). A novidade apresentada pela Stela Vieira, que conheci pelo instagram e que veio aqui buscar ramas de batata-doce, é que ela tempera a berinjela só com alho, sal e azeite, sem molho de gergelim. Claro, com tahine é uma delícia, mas este não é o tipo de produto que eu sempre tenho na despensa. Diferente do azeite, do sal e do alho que nunca faltam na maioria das cozinhas. E a safra da berinjela, minha gente, deve ter sido muito boa. No Ceagesp, recentemente, estava custando um real o quilo. E na feira aqui perto também as bacias estão custando um real. A orgânica é um pouco mais cara e se você tiver acesso a ela, é lógico, é sempre melhor, não tem discussão.

Então, mãos a obra. Faça e guarde na geladeira por até uma semana. Fica com sabor de defumado delicioso e vai bem com peixes, saladas, pães. É ótimo para acompanhar cervejas e petiscos. Boa saída para quando temos que levar uns comes nos encontros com amigos. Receita, receita, não há - deve haver, mas nunca fiz com medidas. Aqui, vou só dar a ideia e você vai ajustando ao seu gosto. Combinado?



Berinjelas tostadas 

Coloque uma grelhas sobre a chama do seu fogão e apoie nelas as berinjelas. Se tiver várias grelhas, melhor, pois dá pra queimar 2 berinjelas por chama, suja menos o fogão e te desobriga de ficar tutelando. Se não tiver nenhuma, espete a berinjela com garfo e fique segurando a certa altura da chama para que não encoste diretamente nela - poderá apagá-la. Vá virando a berinjela para que fique tostada em toda a superfície e fique inteiramente molinha. Se tiver partes firmes, toste este pedaço. Espere esfriar, abra ao meio e vá tirando a polpa com uma colher, com cuidado para não pegar junto a casca queimada. E vá observando também se não há nenhuma larva ou parte preta entre a polpa. Se tiver, descarte. Se, por acaso, a larva for bem branquinha e passar despercebida, é o tempero proteico que faltava ao prato. Não vai fazer mal algum, acredite. Bem, tento raspado toda a polpa e colocado numa tigela, pique grosseiramente se quiser e agora é só temperar com bastante alho socado ou finamente ralado, sal e bastante azeite. Coloque num recipiente bem fechado e guarde na geladeira por até uma semana. Se quiser, acrescente um pouco de pimenta calabresa, mas não precisa, pois o alho já dá uma boa picância. Sirva com pão e nhac!




segunda-feira, 18 de abril de 2016

Doce de batata com flores de sabugueiro

Se você acompanha o blog e meu Instagram, deve ter se fartado já de tanta batata-doce roxa. Eu não. E por isto, enquanto tenho dela, fico cada vez mais encantada. Talvez todo este encantamento se dê só e puramente porque foram as batatas que plantamos e colhemos na horta, com tanta história para contar. Ou talvez porque seja boa mesmo.

As batatas amarelas ou roxas são consideradas batatas industriais, mais usadas para o feitio de doces. Por serem mais úmidas, nos Estados Unidos são conhecidas também como sweet potato yam. Mas acabou ficando só yam, o que gera tanta confusão como entre o taro, cará e inhame por aqui. O cará maior, o africano,  por lá também é yam. E aqui o taro é conhecido como inhame-japonês. Mas deixe pra lá, que isto é conversa pra mais de hora e já foi abordado aqui.

No mercado a gente encontra doce de batata-doce com nome de marrom-glacê, tradicionalmente feito na França com castanha-portuguesa - e que não é só portuguesa. E assim os nomes vão se embaralhando.

O importante agora é que você reconheça uma batata-doce roxa - veja posts de dias atrás. Não é tão fácil encontrar, mas aqui em São Paulo às vezes aparece na feira de orgânicos do Parque da Água Branca ou na feira do Ceagesp. Confira no site os horários.

E aí sim poderá fazer este doce para cortar e comer com queijo. A receita é comum a batatas de todos os tipos e os pedaços podem ser comidos com queijo fresco. Eu gosto com nata ou creme, queijo fresco de vaca ou de cabra. As flores de sabugueiro foram inspiração de última hora olhando o grande cacho de flores brancas e perfumadas que enfeitada a horta comunitária. Na geladeira eu tinha o xarope das flores de sabugueiro e foi só misturar.

Vamos à receita, pois:

Com queijo de cabra. Nhac! 

Doce de batata doce roxa com flores de sabugueiro 

500 g de batata doce roxa cozida
1 xícara de açúcar cristal orgânica
1/2 xícara de água
1 pitada de sal
1/4 de xícara de xarope de flores de sabugueiro
4 colheres (sopa) de agar-agar
1 colher (sopa) de açúcar de baunilha natural ou 1 colher (chá) de essência de baunilha
Flores de sabugueiro para decorar

Processe a batata doce com mixer até virar um purê. Reserve.  Em uma panela cozinhe o açúcar misturado com a água até ficar borbulhante. Junte a batata doce e bata bem com batedor de arame. Deixe cozinhar em fogo médio, mexendo de vez em quando até a mistura começar a se soltar do fundo da panela. Com o fogo desligado, junte o açúcar de baunilha e o xarope e misture. Polvilhe o agar-agar e espere uns 10 minutos. Ligue o fogo, em modo baixo, e cozinhe mais um pouco, cerca de 10 minutos,  mexendo sempre com o batedor de arame. Desligue o fogo, espere amornar e coloque num recipiente forrado com plástico - eu usei uma forma de requeijão cremoso. Deixe na geladeira de um dia para outro. Desenforme, aplique algumas florezinhas e sirva em pedaços.  Com queijo e nhac!

Rende: 8 porções


terça-feira, 12 de abril de 2016

Batata doce com nata

Este é o tipo de receita que uma vez aprendida jamais será esquecida. Ou, sim, esquecemos as quantidades de batata, a proporção de açúcar, o tamanho da nata, mas nada disso importa quando você sabe o que quer. Batatas com natas e açúcar ao forno, oras. Não tem receita. Se bem que fui procurar agora no tal do blog Come-se e não é que está lá com receitinha e tudo? Pois, pra quem quiser saber de quantidades, vá lá: http://come-se.blogspot.com.br/2011/05/batata-doce-com-creme.html.  Nunca tinha pensando nesta perfeita combinação até ser presenteada pelo leitor Anestor com a inestimável informação.

Das outras vezes fiz com creme de leite ou nata comprada. A verdadeira nata, porém, é esta que se forma na superfície do leite em repouso. Normalmente vou guardando e depois faço manteiga cremosa ou ghee. Aconteceu, porém, que na hora em que fui tirar o disco de nata (do leite cru e integral que foi fervido), tinha à  minha frente umas batatas doces coloridas já cozidas. Foi só picar em cubinhos, cobrir com o disco de nata, polvilhar um pouco de açúcar e levar ao forno bem quente. Descuidei um pouco e dourou demais, mas você não imagina como ficou gostosa esta crosta tostada. Eu não troco esta sobremesa por várias outras que tive oportunidade e a sorte de conhecer ao longo desta trajetória de comilona.  Faça e me conte se não tenho razão.








sexta-feira, 8 de abril de 2016

Banana verde, banana madura, banana congelada, purê de banana com taioba

Quando compramos o sítio em Piracaia eu dizia pra todo mundo que no dia em que conseguisse tirar de lá mamão, limão e banana eu já me daria por muito feliz.

E foi assim. Quando pensamos em vender o sítio, ainda não havia chegado a este ponto e estávamos desanimados. À medida em que íamos mostrando o lugar para pessoas interessadas ia nascendo um limãozinho ali, um mamão caipira acolá e as bananas se insinuavam. A cada passeio para mostrar, éramos nós os convencidos dos nossos próprios argumentos e olhares.  Não sei se foi coincidência, mas quando decidimos ficar com ele já tínhamos bananas, limões de vários tipos e mamões caipiras deliciosos.

Agora a gente se depara com o problema mais delicioso de resolver do mundo. O que fazer com tanta banana que amadurece de uma só vez? Claro, a gente pode ficar com um pouco, distribuir o resto, mas também precisamos pensar que não é toda hora que temos um cacho de bananas. Neste ponto, o designer bem que poderia ter pensado numa planta que desse frutos em pencas de doze e não em cachos de centenas. Mas tudo bem, a gente se vira para ter banana na entressafra, contanto com um cacho desses de tempos em tempos.

Marcos cortou as bananas individualmente porque são mais fáceis para lidar. Já fiz o teste, acho que aqui no blog mesmo publiquei, e a grande vantagem deste método é que as bananas cicatrizam no cabinho e não se quebram à medida que amadurecem. Quando estão ligadas à pensa, elas vão amadurecendo, os cabinhos rompem do lado mais fraco que é do lado do fruto, deixando-o exposto, atraindo drosófilas e estragando mais rapidamente. Assim, o cabinho fica junto com a banana até o fim, sem partes frescas expostas, sem atrair mosquitos,  e a fruta fica intacta o tempo todo.

Mas com tanta banana, claro, dá pra começar usando parte dela ainda verde. E aí surgem nhoques, sopas, purês e pães, só pra citar alguns usos para a tal da biomassa - não gosto deste nome, prefiro "banana verde". Para o Pancnacity, fiz o purê no último encontro e ficou muito bom. Juntei taioba, jambu, manteiga, cúrcuma, limão e um tico de açúcar, só para equilibrar. Já fiz um outro aqui também.  A receita, dou no final da postagem.

Por enquanto, vou falar da banana congelada. Apesar de as bananas separadas individualmente ficarem super fáceis de transportar, ainda precisamos guardá-las para a entressafra. E apesar de já ter congelado bananas descascadas - recomenda-se pincelar com limão para não oxidar -, resolvi congelar com a casca mesmo, afinal não há embalagem mais perfeita (aí, sim, palmas para o designer). É só lavar e levar ao freezer. Na hora de usar, basta esperar uns 5 minutos, cortar em rodelas e tirar as cascas - que ficam mais aderidas à polpa, mas saem com facilidade quando em rodelas. Outro jeito de usar é cobrir com água e cozinhar inteira por poucos minutos para servir com mel ou melado.

Congeladas assim, ficam branquinhas. Claro, desde que tenham sido congeladas em estágio de maturação em que os frutos estejam bem íntegros, macios, porém firmes. Se já prevê que as bananas vão amadurecer, não deixe que amoleçam demais para congelar. Assim, terá bananas bem branquinhas, nada oxidadas. E você pega quantas quiser, economiza embalagem, enfia em qualquer buraquinho do freezer (sempre bem lavadas, diga-se).

Testei fazê-la cozida e ficou ótima. Testei bater  na vitamina e parece fresca. E na frigideira fiz um doce com manteiga e açúcar que cobri com massa firme de bolo - assei com a frigideira, tipo omeleteira, fechada, e também deu certo - só poderia ter dourado um pouco menos as rodelas antes de ter despejado a massa. Mesmo assim, ficou delicioso.

Então, é isto. Banana pode ser congelada com casca.

Agora, a receita do purê:

Purê de banana verde com taioba 

10 bananas verdes
1 folha grande de taioba cozida e espremida
2 xícaras de leite de coco
4 colheres (sopa) de manteiga
1 cebola picada finamente
2 colheres (chá) de cúrcuma
1 colher (chá) de grãos de cominho ligeiramente tostados e triturados
1/2 colher (sopa) de açúcar
2 colheres (sopa) de suco de limão
2 colheres (chá) de sal

Lave as bananas, coloque em panela de pressão, cubra com água e cozinhe por cerca de meia hora ou até que as cascas comecem a se abrir. Espete com garfo e confirme se estão bem macias. Descasque ainda quente e bata no processador ou com mixer até ficar com textura bem homogênea. Junte a folha de taioba e bata mais. Junte, aos poucos, 2 xícaras de leite de coco (se estiver usando o processador, talvez tenha que fazer isto em duas etapas.

Numa panela, aqueça a manteiga e doure a cebola, até que fique bem caramelizada. Junte a cúrcuma e o cominho, misture e acrescente o purê e os outros ingredientes. Misture bem. Deixe no fogo, sempre mexendo,  até ficar bem quente, se soltando do fundo da panela. Se estiver muito grosso, junte água, leite ou mais leite de coco para corrigir a consistência.  Prove o tempero e corrija, se necessário.

Na hora de servir, se quiser, aqueça um pouco de manteiga e junte alguma erva, como guasca ou jambu, previamente aferventada e espremida. Espalhe sobre o purê, só para dar um tcham. E nhac, com feijões, saladas, carnes.

Rende: de 8 a 10 porções


quinta-feira, 7 de abril de 2016

Batata doce roxa, safra da calçada. Coluna do Paladar, edição de 07 de abril de 2016


Hoje tem coluna minha no Paladar. Veja lá no site do caderno - agora tem lá todo o conteúdo das minhas colunas e dos outros colunistas, tudo reunido de modo a facilitar a consulta.  E, claro, está também lá no Estadão impresso.  E aqui está:



Batata doce roxa
Depois de uma reforma da subprefeitura no pequeno espaço ocupado pela horta comunitária City Lapa, cuidada por um grupo de vizinhos da minha rua no qual me incluo, acabamos ganhando uma calçada que não existia e uma estreita faixa de terra entre ela e o meio fio, seguindo o modelo de calçadas verdes proposto pelo paisagismo original do bairro que hoje é tombado. Como isto aconteceu no final do outono passado,  quando ainda havia alguma chuva  mas uma estiagem invernal das mais severas já estava à espreita,  resolvemos plantar ali rapidamente uma espécie que logo cobrisse a terra aproveitando o resquício de umidade.  

Mudando o cenário,  na cozinha de casa, algumas batatas doces no copo com água lançavam suas ramas. Não eram batatas comuns, mas sim das roxas que havia comprado na feira de orgânicos do Parque da Água Branca.  São batatas raras atualmente, não encontradas em supermercados ou feiras convencionais.   Bem, as ramas já iam grandes, precisando de ir para a terra.

Então, voltando à  horta, foram estas ramas do copo que plantamos naquela terra árida. No meio da horta também havia outras ramas da mesma espécie,  que plantamos antes para crescer como trepadeira e proteger do sol a caixinha de abelhas jataí que temos ali,  e parte delas também foram usadas.  A planta, além de ornamental, tem folhas novas comestíveis, é bom que se diga.

O fato é que, sem afofar o solo nem acrescentar qualquer tipo de adubo,  fizemos uns anéis com os galhos e enterramos, deixando algumas folhas pra fora.  Em poucos dias os ramos estavam vistosos. Fomos podando e fazendo mais mudas, de modo que um mês depois não se via mais o vermelho da terra despida.  O inverno chegou, a seca castigou a maioria das plantas, mas a batata resistiu majestosa.  E a cada mutirão tínhamos de podá-la para não invadir a passagem e o asfalto.  Foram muitas ramas doadas por aí. 

Não sei se pela poda disciplinadora constante ou se porque era mesmo a ordem natural das coisas, mas quando decidimos renovar o canteiro há poucos dias levamos um susto com o tamanho das batatas que foram surgindo à medida em que íamos tirando o tapete de ramagem.  A média foi de 1 quilo para mais, chegando a 2 quilos cada batata.  Foram 35 quilos no total.

Sob o efeito inebriante da farta colheita, fiquei imaginando todas as calçadas e quintais de São Paulo com seus gramados substituídos por batatas por baixo, abóboras por cima, ainda mais num momento de precipitações pluviométricas instáveis e incertas no campo e toda sorte de suscetibilidades vividas pelos agricultores – das tradicionais saúvas aos recentes caramujos africanos e javalis que chegam destruindo tudo.  Muita gente está desistindo de plantar culturas como mandiocas, batatas doces, milhos e abóboras por causa das constantes perdas especialmente para os javalis que, mesmo quando não comem tudo, cavoucam e mordem todas as batatas que conseguem desenterrar  – para escolher a melhor, talvez.  O jeito vai ser diversificar o acesso aos alimentos e garantir que pelo menos parte da nossa comida seja plantada perto de onde vivemos. E o que tem de espaço para plantar nesta cidade daria para alimentar muita gente.

Só para não dizer que não falei da espécie, a planta da batata doce (Ipomoea batatas L), que pode ser branca, amarelada, laranja ou roxa, pertence à família das Convolvuláceas e não guarda parentesco com as batatas da família das Solanáceas. Originária da América do Sul e América Central, é cultivo dos mais antigos - resíduos de variedades desta espécie foram encontrados no Peru em cavernas no Vale de Chilca Canyon, datadas de mais de dez mil anos.

Ela já foi considerada comida de pobre, cultivada apenas por pequenos agricultores e tida como alimento pesado. É que há em sua composição um inibidor de digestão que atrapalha o trabalho das enzimas digestivas tripsina e quimiotripsina, retardando o fluxo, induzindo à fermentação e à formação de gases. Mas é só não exagerar que nada disso acontece. Como compensação para toda injustiça sofrida ao longo da história, hoje é o legume querido dos atletas ou de quem queira ganhar massa muscular de forma saudável, pois além de ser energética, rica em vitaminas e minerais, também possui baixo índice glicêmico – evita a formação de pico de insulina, mantendo as reservas energéticas por mais tempo. Que isto não seja puro modismo.

Talvez seu cultivo tenha sido deixado de lado por não ser tão doce quanto as brancas,  nem tão fácil de lidar como a batata branca - é que o pigmento escapa para o caldo,  tinge todos os outros ingredientes e ainda pode reagir com meio alcalino e tornar o prato desagradavelmente esverdeado. Porém, agora a batata roxa é tão bem quista, que quem seguiu plantando não consegue atender à demanda do varejo. É um ótimo legume para preparos de textura homogênea como doces em pasta, cremes, sorvetes, mingaus, pães e massas, desde que não leve bicarbonato.  Quanto mais ácidos os outros componentes da receita, mais atrativa será a sua cor.  

A coloração avermelhada do miolo da batata doce roxa crua se transforma em lindo púrpura quando o legume é cozido lentamente e se dá pela presença de antocianina, o mesmo pigmento do vinho tinto, das amoras, jabuticabas etc. que,  mais que corante,  é um potente antioxidante que previne doenças. Diferente de outros vegetais que perdem a coloração quando cozidos, esta batata tem sua cor intensificada com o calor.  

O creme com mel de engenho e licuri a seguir é só uma ideia de uso, mas lembre-se dos doces de cortar, da linda cor que poderá dar aos seus pães e da provável cara de encanto das crianças diante de um creme tão gostoso e colorido como o de açaí ou de frutas roxas.


Veja algumas dicas para o caso de se deparar com as ditas ou de colher algumas nas calçadas do seu bairro.  


 - Guarde as batatas doces em cestas, em temperatura ambiente. Quando começarem a lançar ramas, tire o pedaço brotado, plante numa jardineira e use o restante da batata para comer. Para aumentar a produção de ramas, mergulhe a batata pela metade na água limpa – e troque sempre, claro.

- Para assar, besunte a casca com azeite, embrulhe em papel alumínio e deixe no forno a 180 ºC por cerca de 1 a 1 hora e meia, dependendo do tamanho, e a textura ficará lisa, úmida e uniformemente púrpura. Tire a pele, esfregando com as mãos e pronto, é só usar.

-  Atenção para não usar bicarbonato em receitas com a batata doce roxa, ela poderá se transformar em algo oxidado e desagradável aos olhos.

- Para cozinhar, lave bem com escova, deixe a pele e corte a batata em pedaços,  se for muito grande. Cubra com água fria e leve ao fogo médio. Deixe cozinhar por cerca de meia hora ou até que amacie. Descarte a água, espere amornar e tire a pele com as mãos.

-  Se tiver muitas batatas, cozinhe, corte em pedaços menores e congele em aberto. Guarde em recipiente fechado e use os pedaços individualmente conforme a necessidade (cremes e vitaminas, por exemplo).

- Sirva as batatas cozidas bem quentes com leite gelado adoçado. Fica muito bom. E as assadas, com manteiga, açúcar mascavo, especiarias ou amassadas com melado, sal e e pimentas. 


Creme de batata doce roxa com mel de engenho e licuri

500 g de batata doce cozida ou assada½ xícara de kefir ou iogurte natural
4 colheres (sopa) de açúcar mascavo
1 pitada de sal
½ colher (chá) de canela

Para cobrir
manteiga de mel de engenho

2 colheres (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de mel de engenho (melado de cana) 
50 g de licuri torrado

Lave bem as batatas doces , coloque numa panela, cubra com água fria e leve ao fogo para cozinhar – cerca de meia hora ou até ficarem bem macias.  Escorra, tire a pele e amasse bem. Junte o kefir, o açúcar mascavo, o sal e a canela.  Faça um creme bem liso usando o mixer ou processador.  Se precisar, junte mais kefir ou iogurte para acertar a consistência.  Passe para um prato de servir e  faça a manteiga de mel de engenho:  derreta a manteiga,  junte o melado, mexa bem para homogeneizar e desligue o fogo. Despeje ainda quente sobre o creme em temperatura ambiente. Se precisar guardar o creme, conserve-o na geladeira e só faça a manteiga na hora de servir, despejando bem quente sobre o creme, para não solidificar.  Espalhe por cima o licuri e sirva. Se preferir, divida o creme em taças individuais.


Rende: de 4 a 6 porções  

Pancnacity Quatro

O quebra-cabeças
Continuando o assunto Pancnacity do post anterior, seguem fotos, só para que fiquem aqui registradas. Qualquer dúvida, possivelmente vai conseguir esclarecer vendo o outro post de lançamento do passeio.

As fotos:

Colhendo caferanas

Plantação de cúrcuma

Cúrcuma colhida, ainda não muito amarela 

Dona Teresa com café 

Na horta comunitária

Cúrcuma e um pé de jatobá

Entre cerejeiras do Japão

Letícia e a taioba gigante

Um verdadeiro taiobal 

Tiririca e hemorocallis (ambos, comestíveis - de um as batatas, do outro,
as flores)

Tentando colher limão
De volta pra casa, comida... Que ninguém é de ferro 

Purê de banana verde com taioba e jambu 

Panquecas de amido de mandioca coloridas, purês, favas brancas com
guasca, maxixe, chuchu e caxi no leite de coco, salada com pancs 

Com pigmentos naturais e recheio de abóbora com castanha de baru 

Doce de batata doce roxa da horta City Lapa e creme de mandioca com calda
de umbu 



quarta-feira, 6 de abril de 2016

Pancnacity três.

Aqui, os próprios participantes tentam organizar o que foi colhido. Uma
forma de memorizar 
Tem sido muito proveitosos os passeios Pancnacity - pelo menos pra mim, pois cada um que chega conhece algo que eu não conheço, e assim o repertório vai ficando mais rico. Pra quem está chegando agora, estes passeios são para identificar e colher panc - plantas alimentícias não convencionais - e acontecem duas vezes por mês. Já falei sobre as inscrições quando comecei - clique aqui.

Deixe, portanto, apenas as fotos aqui - do passeio e do almoço quando voltamos.  Estas, são do Terceiro Pancnacity, que aconteceu no sábado, 02 de abril. Outro aconteceu no sábado, 04 de abril. Inicialmente pensei em fazer só uma segunda-feira por mês. Mas há pessoas que só podem no sábado, por isto abri esta possibilidade.

Os próximos encontros serão 07 e 09 de maio (era pra ser dia 02, em vez de 09, mas não vou poder).  Para se inscrever, basta escrever para o meu email: neide.rigo@gmail.com, com a palavra no assunto: "pancnacity".

Cada vez, um circuito diferente 
Flores de ipê roxo comestíveis 
Pasta tipo homus feita com feijão fradinho - a verde, temperada com
pariparoba 

Molho com manjericão-zathar 

E também entram os fermentados: kombuchá e pão au levain 

Sem pressa pra acabar